Um total de quarenta Organizações da Sociedade Civil exigem que Ministério da Saúde (MISAU) tome medidas de responsabilização contra os profissionais de saúde envolvidos em casos de violência contra parturientes, assim como envolvidos em casos de trafico de bebés.

O Observatório Cidadão para Saúde, como membro integrante da lista de quarenta organizações da sociedade civil em prol da melhoria do Sistema Nacional de Saúde, tem recebido denúncias de mulheres vítimas de violência obstétrica.

Na senda destas denúncias, aSaber Nascer – uma organização que trabalha em prol da humanização dos serviços obstétricos – realizou recentemente, em Maputo, uma conferência de imprensa exigindo a responsabilização dos profissionais envolvidos em casos de violação.      

Falando durante a conferência de imprensa, Camila Fanheiro, em representação da Saber Nascer, lamentou a ocorrência destas anomalias defronte do olhar impávido das instituições governamentais.

“Não podemos aceitar que as entidades zeladoras permaneçam em silêncio neste tipo de situações. O silencioso grito destas mulheres deve indignar-nos. Por isso, exigimos a responsabilização de todos, incluindo os níveis mais elevados”, disse.

“É preciso criar brigadas móveis para diminuir o longo percurso para se ter acesso aos serviços de parto” Quitéria Guirengane

A Presidente da Rede de Mulheres Jovens Líderes, Quitéria Guirengane, lamentou a distância que as mulheres grávidas percorrem para ter acesso ao serviço de parto.

“Devemos assegurar a existência de brigadas móveis que possam assistir os partos de forma segura e condigna. Já assistimos a mulheres a serem obrigadas a comprar material, como luvas, para o serviço de parto. Ou mesmo a darem parto com o telefone nos dentes, por inexistência de luz na Unidade Sanitária”, disse.

Na ocasião, ela recordou-se de um caso de um bebé que perdeu a vida durante o serviço de parto, depois de cair e bater com a cabeça no chão.

“Pretendemos organizar um encontro com algumas entidades do Ministério da Saúde. Queremos, efectivamente, que aquelas pessoas relacionadas a estes actos sejam responsabilizadas criminal e administrativamente para que sirvam de exemplo e não mais repitam esses actos.”

“Dar à luz a um bebé em Moçambique não tem que ver com luz, mas com as trevas”

Por seu turno, Ndzira de Deus lamentou o facto de, em Moçambique, não existirem consultas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a fim de se evitar mortes durante os momentos de partos.

“É importante que seja resolvida a questão das infra-estruturas e meios de transporte, para que as mulheres cheguem às Unidades Sanitárias de forma segura. Queremos também que se resolva a morosidade no atendimento”, referiu.

“Dar à luz a um bebé em Moçambique não tem que ver com luz, mas com as trevas. As mulheres clamam aos céus e à terra para sair com vida.”

“Colocaram-me numa sala escura. Insultaram-me e me chamaram nomes”

Leila acordou do nada no Hospital Central de Maputo (HCM). Um dia antes, tinha estado no Hospital Provincial de Maputo. Neste hospital, ela teria recebido maus tratos. Insultaram-na. Chamaram-na de tudo que era nome.

Depois disso, levaram-na a uma sala isolada, “deram-me algo para tomar e logo, em seguida, vomitei. Depois disso, colocaram-me numa sala isolada.”

Aos balbucios, ela conta que na sala escura do nada, começou a sangrar. Chamou por socorro e foi tirada daquele local. Deram-lhe algo para beber e só acordou no dia seguinte no HCM.”

Ali, ela não se recordava de mais nada. Ficou espantada quando lhe informaram que estava no HCM e, para a sua infelicidade, o médico disse, sem convicção, “acho que o teu bebé morreu. Mas deve estar no Hospital Provincial de Maputo.”

Desde então, ela procura pelo bebé, mas não há ainda informação de onde esse possa estar.

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