Desde Dezembro de 2019, o mundo encontra-se numa correria científica, tecnológica e económica para salvar a vida humana da pandemia da Covid-19.

Ao mesmo tempo em que se procura compreender a sua origem, envida-se esforços para parar a pandemia. Há alguns meses arrancaram as campanhas de vacinação, que decorreram de forma heterogénea, em função do poder económico de vários países do mundo. Até então, foi possível vislumbrar as assimetrias entre os chamados países do primeiro e terceiro mundo.

Grande parte dos países economicamente mais fortes, mais de 70 por cento da população já vacinou, mas as vagas de infecções e óbitos não param. A Inglaterra e Estados Unidos são alguns desses países.

Por isso, começaram os estudos sobre a eficácia das vacinas anti-Covid-19 em toda Europa e Estados Unidos da América.

Questionámos ao Director do Instituto Nacional de Saúde, responsável pela condução de estudos na área da saúde, Ilesh Jani: como é que as autoridades moçambicanas estão a acompanhar o processo?

O especialista esclareceu que “ainda não há dados científicos sólidos que tornam a terceira dose extremamente necessária. O que há, agora, são governos mais inconformados com os impactos da vacinação e que, por isso, decidiram tomar uma decisão unilateral de introduzir a terceira dose.”

Jani acrescenta que “a Organização Mundial da Saúde ainda não chancelou os estudos, maioritariamente realizados nos Estados Unidos da América e nos países da Europa, onde os governos estão a ter como base para seguir com a terceira dose.”

Tais estudos revelaram que 3 meses depois de tomadas as 2 doses, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os anticorpos não se desenvolvem tal como se esperava, daí a continuidade das vagas e altos índices de infecções mesmo com parte considerável da população vacinada.

A OMS não aprecia esta medida. Muito pelo contrário, considera que esta atitude vai excluir ainda mais os países com problemas de acesso às vacinas, agora por um motivo não só egoísta, mas também por não ser cientificamente aprovado.

Segundo o responsável, Moçambique acompanha as discussões com cautela e seguindo as orientações da OMS. “Talvez comecemos a pensar numa terceira dose da vacina contra o novo Coronavírus em 2022”, disse.

“Essa vacinação deverá ocorrer em grupos específicos, provavelmente os mais vulneráveis como idosos e pessoas com doenças imunossupressoras (como as Diabetes) ”, sublinha o entrevistado.

“Para já o país está concentrado nas suas metas de vacinar pelo menos 10 por cento da população ainda este ano. A meta é atingir 17 milhões de pessoas, sendo que até aqui, menos de 5 por cento já vacinaram.”

“Actual redução de infecções não tem relação directa com vacinação massiva”

O Presidente da República fez recentemente (27.08.2021) mais uma comunicação à nação, no âmbito da situação de Calamidade Pública imposta pela pandemia da Covid-19. Depois de dois meses de aperto, veio uma boa nova, já que várias restrições foram aliviadas.

O motivo para o relaxamento das medidas, segundo Filipe Nyusi, é o achatamento da curva em todas as “variáveis negativas” do novo Coronavírus: infecções diárias (que passaram de uma média de 1.000 para pouco mais de 100), óbitos e internamentos. Aliás, o estadista referiu que o número de recuperados aumentou.

No seu informe, Nyusi teria dito que a Campanha de Vacinação contribuiu para que o país saísse do nível 4 de alerta para o nível 3. Para comprovar a sua tese, apresentou alguns dados: dos mais de 179 óbitos registrados, 170 não tinham tomado a vacina, 4 não completaram a imunização e 3 é que estavam completamente vacinados.

Campanha de vacinação e redução de casos… “Não é bem assim”

O Director do Instituto Nacional de Saúde (INS), Ilesh Jani, reconhecendo as potencialidades da campanha de vacinação, adverte que ela não tem uma relação directa com a redução de infecções.

“A Campanha Nacional de Vacinação Massiva arrancou no dia 4 de Agosto e a comunicação foi feita no dia 27. Grande parte das pessoas ainda não tomou a segunda dose. Não podemos assumir que houve uma ligação directa ou que os números são fruto desta medida. Talvez contribua para os balanços subsequentes”, explicou Ilesh Jani.

O renomado especialista em saúde pública explica que se levará algum tempo para que Moçambique tenha dados concretos sobre a eficácia das vacinas.

“O Instituto Nacional de Saúde vai desenvolver um estudo para medir a eficiência das vacinas. Os dados que temos agora nos são fornecidos pelos fabricantes. Agora precisamos saber do efeito concreto que elas tiveram nas pessoas. Aí sim poderemos estar mais à vontade para falar da eficiência ou fragilidade das vacinas”, afirmou.

Ainda não há datas concretas para o arranque de tal trabalho.

Em entrevista à imprensa local, Jani explicou ainda que “até agora, a vacina que mais foi usada, no nosso contexto programático, é a Vero Cell. Portanto, a informação que iremos produzir irá incidir, principalmente, sobre a vacina Vero Cell que, até agora, é aquela que mais usamos”.

Questionado sobre o porquê de só agora o INS focar-se no estudo, o Director do Instituto Nacional de Saúde (INS) disse que “esse é o procedimento normal a nível internacional”.

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