O Observatório do Cidadão para Saúde (OCS), juntamente com cerca de 40 activistas sociais,  no dia 20 de Novembro 2019 participou na oficina de trabalho organizada pelo Centro de Colaboração de Saúde (CCS), que visava essencialmente a discussão no combate a Tuberculose, no Plano Estratégico Nacional e resposta ao HIV e SIDA 2015 -2019, Pen IV, tendo contando com a presença de representantes da Sociedade Civil filiadas a Plataforma da Sociedade Civil para Saúde de Moçambique, (PLASOC-M).

Moçambique faz parte do grupo de 22 países com maior carga de doença há muitos anos, estando no terceiro e sexto lugar em relação a incidência e mortalidade devido à tuberculose. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incidência estimada para todo o país é de 552 por 100.000 habitantes, sendo que 58% dos casos notificados de tuberculose são HIV positivos. A taxa de detecção de acordo com as estimativas da OMS é de 37%, o que implica um grau de incerteza enorme da real carga de doença no país[1].

Dentre os pontos abordados, um dos mais relevantes foi o elevado nível de Tuberculose, que com uma grande repercussão mundial, constitui um grave problema de saúde pública. E actualmente, a sua presença, concomitante vem suscitando diversos impactos negativos à comunidade em geral, num contexto em que o seu controlo e prevenção represente um desafio a todos os níveis da esfera de saúde publica.

No que diz respeito a infecção, estão os trabalhadores de saúde como o grupo de maior risco, o que por um lado é explicado pelo tempo em que estão sujeitos a exposição com os pacientes que contém a doença. Não somente, mas, a demora no diagnóstico bem como o incumprimento das medidas administrativas de controlo ambiental e de proteção respiratória individual está também na lista dos factores influenciadores. E como consequência, há um risco acrescido da probabilidade de ocorrência da transmissão nosocomial quando as medidas preventivas que visam salvaguardar a saúde do trabalhador são deficientes ou quase inexistentes.

Segundo o  MISAU (2018), a Tuberculose constitui uma das causas mais comuns de morbi-mortalidade em indivíduos vivendo com HIV/SIDA, tendo em conta que 36% de novos casos da tuberculose são co–infectados pelo HIV e, a taxa de óbito rondou em 6% em 2018. A importância clínica e epidemiológica da doença em nosso meio é amplamente conhecida pois, segundo a OMS, estima-se que cerca de 163 mil pessoas são infetadas anualmente pela doença em Moçambique[2].

Em paralelo, a emergência da resistência aos medicamentos contra a tuberculose e em particular a tuberculose multidroga-resistente tornou-se um dos maiores problemas de saúde pública em vários países, incluindo Moçambique. Essa resistência é também um grande obstáculo para o controlo efectivo da tuberculose, principalmente em países com elevada sero-prevalência.


No que concerne a utilização de regimes de tratamento inadequados, a ingestão de medicamentos de má qualidade, fornecidos de forma inadequada pela farmácia são factores que também contribuem para a emergência de resistências, sendo que as pessoas infectadas podem adoecer continuamente por tuberculose muito mais por existirem algumas condições que comprometem o sistema de defesa do organismo, propiciando ainda mais a doença. E as pessoas com patologias como Diabetes, HIV/Sida, Câncer, Consumo do Tabaco estão sob maior risco de desenvolver a doença activa. Associado as condições desfavoráveis de vida, tais como a desnutrição crónica, situação de rua, privação de liberdade, necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, além de barreiras de acesso aos serviços de saúde também colocam o indivíduo em maior vulnerabilidade ao adoecimento.

Finalmente foi de consenso que é muito importante manter as comunidades e os pacientes educados sobre a Prevenção e Controlo da Infecção pela Tuberculose, de maneira a estarem cientes da importância das medidas de controlo e prevenção das infecções. E também, para que possam aderir à estas práticas, especialmente àquelas relativas à etiqueta da tosse, higiene respiratória e, separação de pacientes de Tuberculose infecciosa. Informar-se também que o tratamento para Tuberculose está disponível na Unidade Sanitária, dura no mínimo seis meses e deve ser feito até o final para que se alcance a cura.

[1]http://manhica.org/wp/tuberculose/

[2] http://telessaude.co.mz/2019/04/tuberculose-epidemiologia-e-medidas-de-prevencao/

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