A implementação da primeira fase do Plano Nacional de Vacinação (PNV), em Moçambique, teve início no dia 08 do mês em curso, priorizando os profissionais da saúde que se encontram na linha da frente, assim como os idosos, considerados grupo de risco.

O acto, que teve a duração de apenas uma semana, teve a sua primeira fase concluída no dia 12 de Março, isto é, cinco dias depois do seu início. Num processo marcado por filas, algumas longas e outras curtas, milhares de profissionais de saúde foram vacinados.

O Observatório Cidadão para Saúde (OCS), entretanto, lamenta o facto o Ministério da Saúde (MISAU) não ter partilhado, diariamente, os dados dos indivíduos que foram vacinados, tanto os profissionais de saúde, assim como os idosos.

O OCS entende que , à semelhança da publicação diária de novos casos dos contaminados e dos recuperados, o MISAU deve publicar o número de vacinados.

A publicação dos dados em questão manteria os moçambicanos informados sobre todas as fases do processo de vacinação e, de alguma forma, tornaria o calendário e o processo  de vacinação mais transparente.  

O Plano Nacional de Vacinação prevê a realização de monitoria  de Segurança da Vacina e Fármaco vigilância, assim como a implementação de medidas de vigilância  de segurança da vacina para a  detenção precoce.

Por outro lado, este documento faz referência à investigação, à análise (EAPV), assim como se refere a eventos adversos de interesse especial (EAIE).

Outros pontos levantados no documento são:

  1. respostas adequadas e rápidas em caso de EAPV e eventos adversos de interesse especial (EAIE);
  2. disponibilização de dados  para caracterizar o perfil de segurança das vacinas contra a COVID-19 em uso e manter a confiança do público, havendo uma monitoria em relação ao risco ou beneficio aceitável da vacina contra a COVID-19.
  3.  . observação da validação dos sinais de segurança e acções de saúde pública apropriadas e outras intervenções.

Não obstante os pontos levantados acima, o documento do MISAU não apresenta datas concretas e previstas para a disponibilização das informações relativas à vacinação. Assim sendo, o OCS entende que é necessário que se disponibilize toda e qualquer informação ligada a este processo, como forma de se convidar os moçambicanos à consciencialização sobre a necessidade de se deixarem vacinar contra a COVID-19, havendo disponibilidade de mais vacinas.     

Se, por um lado, é necessário que se disponibilize  informações diárias ou regulares sobre o processo de vacinação, por outro lado, a vacinação contra a Covid-19 não deve desacelerar os esforços dos profissionais da saúde e das Unidades Sanitárias na luta contra outras enfermidades.

É necessário que nos dias actuais, assim como no futuro, seja criado um plano consciente de vacinação, sem que sejam afectados outros sectores profissionais, assim como os restantes trabalhos das unidades sanitárias.     

OCS recebeu com preocupação as informações que dão conta de que alguns profissionais recusaram tomar a vacina, o que pode não ser benéfico para a credibilidade do processo junto da população.

O MISAU não deve obrigar os profissionais a tomarem a vacina, mas deve-se informar  sobre as nuances existentes dentro do processo, numa altura em que corre a polémica sobre os efeitos negativos da vacina AstraZenica em algumas pessoas.

É igualmente importante que em casos destes, em que profissionais de saúde se recusam a vacinar, o MISAU apareça a explicar os motivos da refutação, como forma de garantir que outros cidadãos não se sintam receosos a tomar a vacina.

O lançamento da campanha marcou o arranque da Primeira Fase de Vacinação Contra a COVID-19, no país, administrada por injecção intramuscular, na parte superior do braço, sendo que a I dose foi a administrada desde 08, até 12 de Março, e a II será de 29 de Março  a 02 de Abril. Ambas doses serão administradas em todos Hospitais Centrais, Províncias, Gerais, Distritais, assim como  em brigadas móveis,  num  intervalo de 21 dias.

Nesta primeira fase, ao todo, segundo estimativa do Ministério da Saúde, deverão ser abrangidos 59.161 (cinquenta e nove mil cento e sessenta e um profissionais de Saúde do Sistema Nacional de Saúde, de regime especial e geral).

O MISAU iniciou também com a vacinação de idosos que se encontram em abrigados e lares de idosos,  sendo que nos próximos dias algumas brigadas móveis, constituídas para o efeito, irão proceder com a vacinação nos respectivos lares.

Os funcionários das morgues e coveiros dos cemitérios municipais, que igualmente constam do Plano Nacional de Vacinação Contra a COVID-19, estão a beneficiar da vacinação nesta fase, segundo as ocorrências observadas no HCM.

Em fases subsequentes, e assim que houver disponibilidade de mais vacinas, serão abrangidos outros concidadãos, até que seja alcançada toda a população elegível, que totaliza 16.805.399 (dezasseis milhões, oitocentos e cinco, trezentos e noventa e nove) cidadãos, nos termos detalhados no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 em Moçambique.

Moçambique, lembre-se, recebeu da China, na segunda quinzena do mês de Fevereiro , uma doação de 200 mil doses de Vacina VeroCell ( SARS-CoV-2 Vaccine) Inactivada. Sobre o facto, o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, esclareceu que esta quantidade é suficiente para imunizar  todos os profissionais de saúde, podendo-se incluir parte de outros grupos considerados prioritários.

A Vacina, VeroCell (SARS-CoV-2 Vaccine) Inactivada, tem, segundo estudos, uma eficácia de 79.3% contra doença sintomática e 100% contra doença moderada  e grave.

No dia 08 de Março, mais um lote de 384.000 doses da vacina contra a COVID-19 chegou a Moçambique, como parte da primeira vaga de vacinas fornecidas aos países africanos, através da iniciativa global de vacinas – COVAX.

A entrega de um total de 2,064 000 doses da vacina COVAX, que Moçambique receberá nos próximos meses, faz parte de uma tranche de vacinas Astra-Zeneca/Oxford, produzidas pelo laboratório da  India Serum Institute.

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