O governo moçambicano, através do Ministério da Saúde, deve explicar aos moçambicanos o porquê de ter prosseguido com a administração da vacina produzida pelo Serum Institute da Índia, depois de não ter tomado um posicionamento satisfatório sobre as polémicas que giram em torno da vacina engendrada pela AstraZeneca.            

Num processo que excluirá menores de 15 anos e mulheres grávidas, o país espera vacinar 17 milhões de pessoas até 2022. Até então, recebeu-se 200.000 vacinas da China, 384.000 provenientes da iniciativa Covax e outras 100.000 disponibilizadas pela Índia.

A polémica vacina – fabricada pelo conglomerado farmacêutico anglo-sueco, AstraZeneca – foi suspensa em alguns países, ao passo que em outros optaram em administrá-la em pessoas com 60 anos ou mais, por se considerar que a mesma é eficaz e sem efeitos colaterais em pessoas da referida faixa etária.

Pronunciando-se sobre a vacina da AstraZeneca, o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, afirmou, em Março do ano em curso, que o Centro de Controlo de Doenças (CDC-África), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Europeia de Medicamentos defendem a eficácia da vacina em alusão, sendo que a mesma podia ser usada em qualquer país.

Não obstante a existência de países que se mostram cépticos quanto ao uso da polémica vacina, após terem realizado estudos científicos sobre a mesma, Armindo Tiago defendeu o uso da mesma em Moçambique.

O Observatório Cidadão para a Saúde (OCS), assim sendo,  mostra-se preocupado com o posicionamento do ministro da saúde em relação à vacina da AstraZeneca, dado que o mesmo tem ignorado as tendências científicas internacionais. Ao se ignorar as tendências científicas, menospreza-se, ao mesmo tempo, a busca de explicações e mecanismos seguros de utilização da vacina em questão.

 

Ou seja, o silêncio de Moçambique perante esta situação é deveras preocupante. Com isto, o OCS entende  que o país – através dos dirigentes do sector da saúde e não só – deve tomar um posicionamento claro e robusto sobre a vacina que, em todo o mundo, tem levantado debates alarmantes.

Mesmo sem um posicionamento claro do governo, já entraram em Moçambique 384 mil vacinas da farmacêutica AstraZeneca, doadas através do mecanismo COVAX.

No âmbito da mesma iniciativa da Covax, que visa contemplar os países mais pobres do mundo, Moçambique espera receber, até Maio do ano em curso, mais de 1,7 milhões de vacinas.

Mais de 20 países, em todo o mundo, suspenderam a aplicação da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, após ter-se relatado que a mesma origina coágulos sanguíneos em certos pacientes. A Alemanha, por exemplo, anunciou a suspensão temporária da administração da vacina, na sequência de relatos de efeitos colaterais (formação de coágulos no sangue), assim como mortes.  

Outros países como Áustria, Noruega e Dinamarca também baniram o uso da vacina da Astra-Zeneca. A Tailândia, por seu turno, tornou-se o primeiro país asiático a suspender a mesma vacina.

 

 Em África, a República Democrática do Congo (RDC), que ainda não iniciou a sua campanha de vacinação, foi o primeiro país a conter o uso da AstraZeneca/Oxford.

 

“Estamos à espera da conclusão da investigação que está a ser feita pelos europeus e pelo nosso comité científico, para tomarmos a decisão final, talvez dentro de duas ou três semanas”, dissera o ministro da Saúde daquele país africano, Eteni Longondo.

 

Cabo Verde também optou por aguardar pelos resultados científicos sobre a vacina, tendo o Ministério da Saúde arrancado com a  processo de vacinação usando vacinas da parceria entre as empresas Pfizer e BioNTech.

Nos Camarões, onde ainda não chegou o primeiro lote de vacinas, a decisão é a mesma.

“O conselho científico sugere que não utilizemos esta vacina até que as investigações preliminares estejam concluídas. Receberemos as doses planeadas, mas mantê-las-emos até que as diretrizes sejam claras”, esclareceu o ministro da Saúde camaronês, Manaouda Malachie.

 

Outros países, como é o caso da Itália, utilizam a vacina preferencialmente em pessoas com mais de 60 anos de idade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram constatados apenas 86 casos de trombose em uma população de 25 milhões de imunizados na Europa até 22 de Março, o que significa 0,0003% do total.

Em Moçambique – não obstante o facto de outros países terem refutado a vacina da Astra-Zeneca – além dos profissionais de saúde, foram também abrangidos idosos residentes em lares da terceira idade, trabalhadores de serviços mortuários e coveiros. Estes grupos tomaram a primeira dose da vacina entre 08 e 12 de março, aos primórdios da campanha de vacinação no país.

A segunda fase da vacinação, abrangendo mais esferas da sociedade, iniciou no dia 19 de Abril do ano em curso.

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