Gráfico 1 – Total de profissionais que testaram positivo para Covid-19 por província

O número de profissionais de saúde infectados pela Covid-19, em Moçambique, tem estado a aumentar. Nos princípios do ano em curso, cerca de 300 profissionais de saúde acusaram positivo para a Covid-19.

Actualmente, no corrente mês de Agosto, um total de 4,287 profissionais de saúde encontra-se contaminado.

Fazendo a segregação por província, a Cidade de Maputo, com 1.101 casos registados, lidera a lista com maior número de profissionais de saúde contaminados. Segue-se a Província de Maputo com um total de 452, numa lista em que a Província de Niassa, no norte de Moçambique, constitui a região com menos casos, 211 infectados. 

A Cidade de Maputo registou o maior número de mortes de profissionais da saúde, com 16 casos. Em seguida, apresenta-se a Província de Gaza, com cinco casos, e, finalmente, a Província de Maputo com três casos, sendo que as mortes, nas remanescentes províncias, variam entre duas a uma.  

O elevado número de mortes e contaminações tem-se registado nesta terceira onda. Este agravamento faz-se sentir depois de o governo ter elaborado um plano de necessidades, orçados em USD 700.000.000,00, – dos quais USD 100.000.000,00, destinados à prevenção e tratamento, de acordo com Relatório de Uso de Fundos no Âmbito da Covid-19.  

Gráfico 2 – Número de Mortes de profissionais de saúde por COVID19 por província

Apesar de o MISAU ter recebido quantia em alusão, ainda persistem denúncias, nas unidades sanitárias, sobre a escassez de material e equipamento de protecção para os profissionais de saúde.

Em 2020, o Observatório Cidadão para Saúde (OCS) denunciou a falta de equipamentos e material de proteção nas US’s, descrevendo um cenário no Hospital Central de Maputo (HCM), em que os profissionais de saúde eram obrigados a usar a mesma máscara por uma semana, ao mesmo tempo em que escasseavam batinas descartáveis para os mesmos, assim como para os estagiários que se faziam aos centros de trânsito.

“Não nos davam as batinas descartáveis quando entrávamos no centro de trânsito”, lamentou a fonte, na condição de anonimato.

Com a falta de material para a realização de trabalhos de forma segura e eficaz, os profissionais da saúde, para se verem livres da exposição a infecções virais, simplesmente não se apresentavam ao local de trabalho. Reportou-se igualmente a ausência de profissionais em diversos sectores da saúde devido à escassez de Material de Protecção Individual (MPI). Quando o OCS entrou em contacto com as direcções hospitalares, soube que não havia quantidade suficiente de material – o que implicava a racionalização do mesmo, colocando-se menos profissionais no atendimento a pacientes.

De acordo com Inventário Nacional (SARA 2018), o rácio médio nacional da força de trabalho é de 6 trabalhadores da área específica de saúde por 10.000 habitantes. Isto significa que a contaminação de mais de 4 mil profissionais de saúde afecta directamente à prestação de vários serviços nas Unidades Sanitárias, numa altura em que o país carece de mais profissionais para fazer face à intensa procura de cuidados médicos, considerado que, por dia, cerca de mil pessoas contam da lista de infectados.

No contexto da pandemia do novo coronavírus, o uso do EPI pelos profissionais de saúde é extremamente importante para se evitar a transmissão da Covid-19 e o aumento de novos casos e mortes entre os agentes desta classe profissional.

Com a excessiva contaminação de agentes de saúde, o Sistema Nacional de Saúde caminha para um colapso, marcado não apenas pela falta de equipamentos, mas, igualmente, pela escassez de profissionais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% dos profissionais de saúde adoecem em decorrência de seu exercício profissional nessa pandemia.

A contaminação de profissionais pode significar aumento de carga de trabalho. Sendo assim, muitos profissionais de saúde debatem-se com a exaustão física e psicológica, um facto que, igualmente, pode contribuir para um atendimento menos humanizado e com menor qualidade.

O OCS entende que o MISAU, em coordenação com os seus parceiros, deve priorizar a segurança dos profissionais de saúde, alocando recursos que possam possibilitar maior disponibilidade de EPI nas Unidade Sanitárias, do nosso ponto de vista, trata-se de uma questão de priorização, dado que o Governo e doadores podem fazer uso da mesma logística usada na vacinação para a disponibilização de material e equipamentos de EPI.

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